
Num mundo cada vez mais global, onde as distâncias se esbatem á velocidade de um click, somos levados a pensar que estariamos mais proximos de atingir a aldeia global, onde todos fossemos parte do mesmo. Iguais entre iguais. A noção de cidadão do mundo sem limites ou barreiras, parecia ser a realidade ultima que seria atingida.
Um fenomeno de integração global, com um novo entendimento de pertença, mais abrangente e dinâmico, onde a confluência de estares e saberes se fundiria numa cultura universal e comprensivel a todos.
Mas eis que surge o fenomeno.
Marcados por um sentido de individualidade cada vez mais exacerbado, fruto de bombardeios constantes, a um estilo de vida centrado no "eu", a uma motivação consumista como resultado de um status quo de comparação e hierarquização, fechamo-nos ao efeito global e remetemo-nos para a tribo.
Na tribo vamos encontrar a nossa pertença, a nossa individualidade, estabelecemos os padrões diferenciadores,construimos lealdades, formas de estar e de ser que nos diferenciam e nos fazem sentir unicos e ao mesmo tempo parte de algo que nos está proximo.
A noção global é algo que ainda nos parece afastado da nossa realidade, não nos conseguimos relacionar com a imensa distancia que nos separa, temos necessidade de construir ligações de proximidade.
A tribo dá-nos indentidade, segurança, conforto, pertença, e relação com a realidade envolvente. Mas tambem nos afasta, separa-nos por modelos, estereotipos, filiações, formas de ver o mundo e de estar.
Com isso separamo-nos, desviamo-nos do principio unificador, e remetemo-nos para uma diferençiação artificial, que nos conduz a um distanciamento redutor da realidade que nos envolve.
Na era da globalização somos cada vez mais tribais.
Será esta uma reacção defensiva perante a consciencia de uma imensidão que nos assoberba? uma necessidade de criar referenciais que nos criem um enquadramento de nós e do mundo, sobre os quais possamos agir e controlar?
Será que na noção de grandeza nos sentimos de tal forma reduzidos, que necessitemos de uma âncora que nos prenda e nos dê um ponto de referência?
Perante um mundo novo, imenso, por descobrir, escolhemos aprisionar-nos na nossa insegurança.
Escolhemos a prisão do que conhecemos à liberdade do desconhecido. fechamo-nos na tribo quando o mundo se abre perante nós.
As tribos vieram para ficar e com elas, as nossas prisões teimam em desaparecer.
Cada vez mais livres mas mais presos também.
MPSPM
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