domingo, 21 de junho de 2009

A Dúvida



A dúvida é um importante elemento do processo de reflexão. Talvez o aspecto mais fundamental, já que é o elemento base que nos leva ao questionamento. Mas a dúvida em sim encerra uma incerteza. Apesar de ser o ponto de partida para o esclarecimento pode também ser um ponto de chegada dessa mesma reflexão. Para que serve então a dúvida?

A dúvida serve para modificar, para colocar questões, para testar conclusões, para abrir novos horizontes, para desmistificar verdades tidas como absolutas, para acima de tudo mover. Mover a mente, o espírito e o Ser.

Duvidar é importante. Significa que no mínimo questionamos e nos questionamos, seja àcerca do que fôr, a dúvida deve sempre fazer parte da equação. É a âncora que nos permite voar, e ao mesmo tempo nos conduz, por caminhos ainda por explorar. A dúvida é a única coisa que nos prende nas divagações que fazemos.

Duvidar é fundamental é a primeira afirmação de um pensamento crítico, que se tenta libertar de convenções e preconceitos, que se permite a explorar e testar novas realidades. e que acima de tudo demonstra a coragem do questionar.

No entanto levanta-se outra questão? Devemos duvidar da dúvida? Com certeza que sim, a própria dúvida deve também ser questionada, e não apenas as realidades ou o que quer que seja que a dúvida questione. Questionar a dúvida é também colocar em causa a própria dúvida, é inquirir sobre o seu significado e pertinência, sobre o seu resultado e alcance, sobre a sua motivação e enquadramento.

Desta forma questionamos tudo, e com isso libertamo-nos de qualquer constrangimento ou impedimento, que nos retire uma parte importante ou a totalidade, da nova criação cosmogónica que nos deparamos como resultado dessa dúvida.

Integramos todos os elementos incluindo os que despoletaram essa realidade, num processo cognitivo que não só questiona os resultados como os procedimentos. Chegamos mais perto da verdade que procuramos, na convicção que essa verdade nunca será absoluta, apenas transitória.

Até que a dúvida sobre essa mesma realidade se volte a revelar, e com isso se inicie novo processo de busca, essa verdade bastar-nos-á, sentir-nos-emos preenchidos por ela.

Até que o vazio que a duvida tráz nos faça buscar de novo novos horizontes e respostas.


Um mestre Zen disse um dia que para se encher uma taça é preciso vazá-la primeiro. A dúvida faz isso mesmo, vaza-nos a taça para que a possamos encher de novo.


When in doubt, doubt, and doubt also the doubt.

MPSPM

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