
O bater de asas de uma simples borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo.
Ou não passar de apenas um bater de asas.
Esta explicação rudimentar da Teoria do Caos, pode muito bem aplicar-se às relações humanas. Na verdade será sempre difícil prever com exactidão os efeitos de uma interacção humana, sujeita que está a tantas variáveis integradas. Desde o ambiente, à disposição emocional de cada uma das partes, ao seu passado, presente e aspirações futuras, passando pela acção em si mesma, à sua intensidade, à sua contextualização, à sua forma manifesta, ao seu conteúdo, à sua existência temporal, à própria forma como a percepcionamos.
Gravitamos num caos modelado, guiados por uma disposição de resultados básicos, que pensamos ocorrerem sempre da mesma forma, por causa da sua repetição. Porque sempre obtivemos esse output, independentemente das diferentes variáveis que compõem a equação. As quais nunca nos preocupamos em analisar.
Como se de cada vez que fossemos a um determinado lago, quer fosse de dia, de noite, com sol, chuva ou nevoeiro, encontrasse-mos sempre um cisne branco.
Assim assumimos que sempre que formos aquele lago, estará sempre à nossa espera um cisne branco.
Desta forma controlamos o caos, e construimos um mundo previsível, que nos conforta e nos dá um enquadramento de vivência. Estabelecemos uma ordem, que cremos ser parte integrante e fundamental do sistema onde nos inserimos. Por isso interagimos em função desses princípios e regras na certeza de resultados previstos.
Acontece que poderemos encontrar um cisne negro nalguma vez que lá formos.
Nesse dia compreendemos que a ordem não é tão linear, nem tão previsível, nem o nosso mundo é tão controlável. Nem os resultados são tão óbvios e directos.
Assumimos sempre a superficialidade dos acontecimentos como o seu todo, olhamos a ponta do icebergue e tomamo-lo por inteiro.
A realidade da acção é mais abrangente do que a percepção que temos dela. Tem uma vida própria que foge ao nosso controlo, que está para além da noção que conseguimos ter da mesma.
Assim são as interacções humanas.
E um tufão do outro lado do mundo pode muito bem ter sido provocado pelo simples bater de asas de uma pequena borboleta.
MPSPM
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