sexta-feira, 12 de junho de 2009

Frango à Brás(z).


Uma fantastica e fabulososa amiga minha, muito especial por sinal, disse-me hoje que ia cozinhar frango à Brás(z).

frango à Brás(z)???!!! pensei eu. Mas à Brás(z) só conheço o bacalhau.
Na realidade, o frango tambem orbita este universo do Brás(z). Isto fez-me pensar!

Estamos perante uma revolução silenciosa e, subrepticia do frango. este galinácio tantas vezes tido como garantido, especialmente na sua versão assada, está a invadir silenciosamente dominios que não são seus.

O frango emancipa-se, e com ele tráz(s) [não brás(z)] um novo universo cheio de potencialidades, sabores e cheiros, quiçá, desconhecidos ao comum dos mortais, mas bem vívidos na mente do mais perverso Gourmet. (perverso num sentido puramente gustativo e não sexual).
O frango conquista assim terrenos que não são seus, subverte sabores, e impôe um benchmarking. Já não interessa o principal ingrediente, o que importa é o resultado final, a sua profusão última de sabor e efeito.

O imediatismo do efeito culinário que confunde e remete para uma diferença alternativa, uma nova visão do frango, mais abrangente, mais cosmopolita, mais em jeito de fusão, faz-me pensar no que a nossa sociedade e modo de vida nos está a fazer.

Estamos cada vez mais a perder a nossa identidade individual a favor de um estereotipo social, profundamente formatado, somos um produto final e não um elemento em constante mutação. Condicionados por uma vivência societal, confundimo-nos com o que os outros esperam de nós, e esquecemo-nos daquilo que nós somos. Daquilo que queremos, e, acima de tudo daquilo que nos faz feliz, independentemente das convenções.

Viva o frango à Brás(z), ousou ser diferente, arrojado e consequente.

Claro que o bacalhau não se fica, e já o vemos na canja, e provalvelmente vamos um dia destes encontrá-lo em formato à Guia. Mas o mais importante, é a revolução do frango, certo que com isso trouxe a revolta do bacalhau, mas o status quo vigente alterou-se, os paradigmas forçaram-se, modificaram-se. Este pequeno passo tráz(s) [não Brás(z)] mudanças positivas, faz com que se repense o que se toma por garantido, e, com isto damos um passo em frente e verificamos que até um frango pode ser bacalhau e vice-versa. De repente somos mais do que pensamos ser à partida, afinal com os temperos certos, e o dote culinário ideal, podemos ser aquilo que quisermos, basta que assim o desejemos.

Ser não é uma noção estática é um conceito em permanente mutação, só depende de nós, sejamos frango ou bacalhau, mas sejamos o melhor que podemos Ser. e de certeza que o produto final, se assim for, nos vai saber pela vida.

A nós e aos outros. quer seja com S ou com Z :)
MPSPM

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