
O apelo do fogo era indescritível, poderoso demais, irresistível.
A força bruta do elemento, que destroi tudo na sua passagem, para abrir caminho para um novo renascer. Exercia sobre ele um fascínio absoluto.
Queria entrar no mar de chamas, só não pensava que também se podia queimar.
Queria ser como a Fénix, renascida das cinzas, um ser que se reinventa a cada nascimento, que se modifica, que se torna mais do que a forma anterior.
A sua crença absoluta nesta verdade dava-lhe a falsa segurança de que sairia sempre ileso.
Esqueceu-se que o fogo para cumprir a sua missão tem que queimar, tem que destruir, e com isso vem a dôr, a dôr da perda, a dôr da mudança, a dôr fisica, a dôr psicologica, a dôr da dôr.
São as cinzas que fertilizam, que abrem o caminho para o novo momento, o fogo abre o caminho para elas, uma acção conduz à outra.
Fogo e cinzas são inseparáveis, necessários, consequentes.
As cinzas vão ser o fertilizante no qual o novo ser vai nascer, o terreno da metamorfose, e no entanto elas contêm todo o ser em si mesmo, dando-lhe a possibilidade de se moldar numa nova identidade, a partir do todo que se desfez pelo fogo.
Para entrar no mar de chamas é preciso coragem, coragem de querer mudar, coragem em assumir que chegou a hora de o fazer, e despojamento para nos libertarmos de nós mesmos.
Ousemos dar o primeiro passo. Entremos no mar de chamas.
libertemo-nos.
MPSPM
Fico pela liberdade de me prender.
ResponderEliminarDou-me à agua para me diluir.
À terra para criar raizes.
Ao ar para aprender a voar e criar asas.
Ao fogo para renascer.