segunda-feira, 15 de junho de 2009

A queda de um Anjo


Abre as asas e atira-se. Numa queda picada, sem medo, sem receio, cai um anjo.

Um derradeiro acto de rebeldia, um desafio a si e ao Criador.

Um grito de revolta silencioso expresso numa velocidade terminal. Em silêncio cai um anjo.

Mas não cai sozinho. traz consigo o sonho de ser livre. E está disposto a trocar a sua imortalidade por essa liberdade.

Poder escolher, ser livre, sentir, tomar nas suas mãos o seu destino.

Cai um anjo e com ele abre-se o Céu.

E por um instante Céu e Terra tocam-se, o anjo perde a imortalidade e ganha a liberdade.

As asas cairam, já não são elas que o fazem voar, mas a sua imaginação.

O anjo fez-se homem.

O homem quer asas e imortalidade. Quer ser anjo. e subir aos Céus.

A queda de um é a elevação do outro. O desejo de um é o sonho do outro.

Peças da mesma criação, destinos entrelaçados, desejos complementares.

Sonhos proibidos, faces opostas de uma mesma vontade.

Querer Ser.

MPSPM




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