
A guerra é uma das mais antigas ocupações humanas que ainda hoje prevalece e se moderniza constantemente. Um marco do potencial humano para a destruição e conquista. Uma ode ao que a humanidade faz melhor. As massas imensas juntas em exercitos disciplinados, que agem como se de um só organismo se tratasse, orgulhosas dos seus uniformes e armas, sedentos de conquista e de sangue. Dispostos ao sacrifício máximo em nome de um ideal, de uma colina, de um objectivo, no cumprimento de ordens inquestionáveis. Capazes das maiores atrocidades e de actos de abnegação também. Mas sempre destruidores de mundos e de seres.
A guerra representa um aspecto da natureza humana brutal, um enviesamento das suas capacidades cognitivas e emotivas. Ao atingir um discernimento e compreensão maior do que nos rodeia a humanidade teima ainda em usar a força bruta, a morte e destruição como elemento de base do seu comportamento. Destruir é mais fácil que construir, mais simples, mais directo, mais imediato e mais impactante. Usamos com orgulho as imagens da destruição que causamos como se se tratasse de um exemplo da nossa capacidade infinita e da nossa supremacia sobre os demais. Somos meros agentes de destruição sem honra, sem significância, sem estatuto. Autómatos ao serviço de megalómanos, e por mais que queiram pensar o contrario tudo menos verdadeiros guerreiros. Absurdos de humanidade, que de humano apenas têm a forma e nada mais.
Porque se fossem verdadeiros guerreiros, abominariam a guerra, pois teriam a consciência exacta da sua ignomínia e barbárie, não teriam noções românticas de feitos heróicos e de conquistas, mas antes o amargo sabor das inevitáveis consequências nefastas. A noção da profunda perda dos que se amam, dos que são nossos companheiros, dos que se matam apenas porque estão do lado contrário, de que eles são tal como nós humanos, em nada diferentes de nós.
O verdadeiro guerreiro almeja a Paz, não a guerra, porque sabe que a guerra não serve ninguém senão ela própria. Valoriza a vida e não a morte porque sabe o preço que paga quando tira uma vida, sabe que perde um pouco da sua humanidade e com isso se aproxima mais de ser um monstro que não terá lugar no mundo que sonha para si.
E no entanto fazemos a guerra como se de um desporto se tratasse, seremos afinal mais monstros que humanos? Ou não aprendemos ainda a ser humanos e continuamos a olhar para nós como um ideal na certeza de nunca o irmos atingir? Uma ideia romântica que nos tranquiliza quando nos olhamos ao espelho e esconde as verdadeiras formas da nossa face, da nossa barbárie, da nossa sede de destruição, porque afinal é isso que nos queima a alma, a necessidade de destruir.
Faça-se a guerra sem quartel assim talvez acabemos com ela e connosco de uma vez só. E a verdadeira Paz possa finalmente cair sobre este planeta.
MPSPM
Sem comentários:
Enviar um comentário