sexta-feira, 10 de julho de 2009

Còdigo de Honra


"A honra não consiste em não cair nunca, mas levantar cada vez que se cai." – Confúcio.

A honra pode ser vista como um avaliador do carácter de um indivíduo. À honra estão inerentes atributos como a lealdade, a honestidade, o respeito, a justiça, a compaixão, a coragem, a confiança, a abnegação, entre outros. É na conjugação, e valoração quantitativa e qualitativa destes vários elementos, que a honra encontra a sua expressão manifesta. Por sua vez o indivíduo em função do resultado desta equação, vai ser imbuído de um estatuto condizente ao resultado. A honra manifesta-se pela constância das atitudes, pela coerência das acções quando analisadas à luz deste postulado.

Por sua vez para traçar uma norma que se queira positiva e válida para todos, estabelecemos códigos de honra, nos quais hierarquizamos os seus elementos constitutivos e atribuímos graus de importância e complexidade. Definimos também diferentes tipos de códigos de honra, sejam eles de conduta pessoal, social, laboral, relacional. Estabelecemos uma teia de códigos que se sobrepõem e se ajustam aos diferentes momentos da vida de cada um de nós. Esses códigos diferem entre si na hierarquização dos valores nele contidos e na forma como se expressam na nossa realidade envolvente. Deve no entanto haver uma hierarquia estabelecida dentro dos diferentes códigos de honra.

Poderíamos até questionar se não deveria apenas haver um único código de honra que formatasse todos os diferentes aspectos da nossa vida. É minha opinião que esse deveria ser o modelo a ser seguido. Se a honra se manifesta pela coerência e constância das nossas acções, deveríamos pautar-nos pelos mesmos valores a qualquer momento, e não recorrer a um relativismo que se ajustasse conforme as circunstâncias ou necessidades, tendo por intuído a concretização de um objectivo pessoal ou circunstancial.

Ao seguirmos um conjunto de códigos de honra por oposição a apenas um, retiramos à honra o seu princípio de imutabilidade, deixa de ser um vector constante que aponta numa direcção determinada, para ser uma agulha que se move ao sabor das nossas necessidades. Assim desvirtuamos o nosso ethos, com isso perdemos coerência e constância, e como tal perdemos a honra.

A honra deve servir para nos direccionar num percurso de virtude e não para justificar acções cruéis e desumanas, motivadas por orgulho ou interesse próprio. Deve ser como uma bússola que nos aponta constantemente o Norte, e como tal não permite desvios no seu indicador, apenas alterações ao seu percurso.

Pelas nossas acções perdemos ou adquirimos honra, alcançamos maior ou menor virtude. Sendo um elemento que está sujeito às nossas acções e seus resultados, para continuamente se redimensionar, valorizar ou desvalorizar, constitui um indicador muito sólido, ainda que imbuído de uma subjectividade inerente, sobre o nosso estado e conduta.

A honra parte de nós e não dos outros, é no nosso interior que ela deve residir, é produto da nossa formação e não uma externalidade ao nosso ser. Como tal a sua importância e vigência deve ser aplicada apenas a nós, sem exigência para o outro. Deverá ser o outro a ser exigente consigo mesmo na sua aplicação.

Ser honrado é ser honesto connosco mesmos, ser fiel aos princípios e constante nas acções e atitudes.

A honra perde-se por um simples acto e leva uma vida a ser construída. Mas pode sempre ser readquirida, basta que para isso haja vontade, consciência e querer.

A honra segundo consta está morta, eu digo que ela nunca foi tão necessária como agora.

MSPSPM

1 comentário:

  1. A honra tem muito que se lhe diga....pois....vejamos, a mulher honrada é aquela que não tem relações sexuais antes do casamento. O homem honrado é aquele que faz tudo, segundo o que a sua sociedade determina. Ao mesmo tempo, vemos um filme como o último samurai, que ganha honra a partir da ruptura com os principios que o regiam...e passa a identificar-se com outros valores. A honra, é por isso, a verdade. E a verdade apenas existe em nós. Fora de nós mesmos, ela é apenas uma miragem. A honra é viver em verdade. A verdade por sua vez liberta.

    Subscrevo. A honra nunca foi tão necessária como agora.

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