
Num ermo distante onde o vento uiva eternamente, jazem as ruínas de uma vida. Sobre elas a relva cresce, esparsa, como se sentisse a indelével tristeza daquele lugar. Uma profunda emoção lânguida revolve-se ao sabor de um constante movimento, como um sopro insistente de mágoa que teima em perdurar.
As ruinas quais resquícios de vivências que marcaram o compasso e o propósito daquele ser, elevam-se sobre a terra, num abraço constante com os elementos da natureza, num grito velado à sua condição anterior, na amarga dolência do insano destino que sobre elas se abateu. Perduram memorias de trajectos feitos, imagens de tempos idos, saudades de amores perdidos e sons de profundo silêncio.
A natureza do local choca-se com a natureza envolvente num dialogo sussurado de omissões e penitências, num acto de revolta interior e solidão abissal. Na fugaz essência da esperança perdida que teima em se fazer sentir sobre a desolação bucólica do espaço contido.
Com o cair da noite, a lua projecta com a sua luz sombras de melancolia, constroi com a sua presença uma teia de mensagens escondidas, que o dia não deixa perceber. É na noite que as ruinas vivem a sua saudade e o seu tormento.
Até que o dia chegue, que a relva cresça, que o vento pare, que as ruinas passem a ser parte daquele universo, e se rendam ao seu fado. E a melancolia não passará mais de um sonho distante e difuso, perdido entre o vento e a terra.
MPSPM
Fabulástico.
ResponderEliminarAdoro o teu Blog.
Este video inspirou-me o dia de hoje...não como melancolia, mas libertação...e se a melancolia também seja em si uma libertação? Que no abraço desse sentimento, se liberte uma memória, um beijo, um abraço, um querer, um estado.
Oportunidades de nos sentirmos vivos.